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Câncer de tireoide na família: é hereditário e quem deve investigar?

Ter um parente com câncer de tireoide aumenta o risco? Entenda quando o câncer é hereditário, o que muda para irmãos e filhos e quando o exame genético é indicado.

Dr. Daniel Darienzo durante uma cirurgia

A maioria dos cânceres de tireoide não é hereditária: surge por alterações que as células da tireoide acumulam ao longo da vida. Mesmo assim, ter um parente de primeiro grau (pai, mãe, irmão ou filho) com câncer de tireoide aumenta o risco, sobretudo entre irmãos. Em uma parcela pequena das famílias, existe de fato uma causa genética herdada, e reconhecer esses casos muda a forma de acompanhar os parentes.

Câncer de tireoide é hereditário?

Na maioria das vezes, não. Os tipos mais comuns, o carcinoma papilífero e o folicular (chamados de diferenciados), quase sempre aparecem de forma isolada, sem relação com herança genética.

Ainda assim, estudos populacionais grandes, como os feitos com o registro de câncer da Suécia, mostram que filhos e irmãos de pessoas com câncer de tireoide têm risco algumas vezes maior que a população geral. Parte desse aumento vem de genes compartilhados, e parte de fatores ambientais em comum, como exposição à radiação ou deficiência de iodo na mesma região.

É importante colocar em perspectiva: o câncer de tireoide é relativamente pouco frequente, então mesmo um risco aumentado continua baixo em números absolutos. A grande maioria dos parentes nunca terá a doença.

Quando suspeitar de câncer de tireoide familiar?

Fala-se em câncer de tireoide familiar não medular quando três ou mais parentes de primeiro grau têm câncer diferenciado de tireoide, sem outra síndrome que explique. Ele responde por uma pequena fração dos casos, e os genes responsáveis ainda não são totalmente conhecidos.

Alguns sinais aumentam a suspeita de um componente hereditário:

  • Vários casos na mesma família, especialmente em parentes próximos.
  • Diagnóstico em idade jovem.
  • Tumores em mais de um ponto da tireoide ou nos dois lados.
  • Outras doenças associadas na família, como pólipos múltiplos no intestino, tumores de mama ou útero, ou alterações de pele, que podem indicar síndromes genéticas específicas (por exemplo, síndrome de Cowden e polipose adenomatosa familiar).

E o carcinoma medular de tireoide?

O carcinoma medular é um tipo raro, que nasce de células diferentes das que formam os tipos mais comuns (as células C, que produzem calcitonina). Ele merece atenção especial porque cerca de um quarto dos casos é hereditário, ligado a alterações no gene RET.

Nessas famílias, o exame genético é bem estabelecido:

  • Toda pessoa com carcinoma medular deve fazer o teste genético para o gene RET.
  • Se a alteração for encontrada, os parentes de primeiro grau também são testados.
  • Quem herdou a alteração pode ter indicação de retirada preventiva da tireoide, em idade definida conforme o tipo de mutação.

O carcinoma medular hereditário pode fazer parte da neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2), que também envolve as glândulas paratireoides e as suprarrenais. Por isso, esses pacientes são acompanhados de forma diferente dos demais.

Tenho caso na família. O que devo fazer?

  1. Conte o histórico na consulta: quem teve, qual grau de parentesco, com que idade e, se possível, qual o tipo de câncer (está no laudo da cirurgia do parente).
  2. Observe o pescoço: caroço ou nódulo na frente do pescoço, rouquidão que não passa ou dificuldade para engolir merecem avaliação.
  3. Converse sobre ultrassom: para a população em geral, não se recomenda fazer ultrassom de tireoide sem queixas. Em famílias com vários casos, o exame periódico pode ser considerado de forma individualizada.
  4. Se o parente teve carcinoma medular, procure saber se ele fez o teste do gene RET. O resultado dele orienta a investigação de toda a família.

Ter câncer de tireoide na família muda o tratamento?

O tratamento segue os mesmos princípios do câncer de tireoide sem histórico familiar, ajustado à extensão da doença em cada pessoa. O histórico familiar entra como mais um dado na decisão sobre a extensão da cirurgia e o acompanhamento. Saiba mais na página sobre câncer de tireoide e no artigo sobre como se formam os nódulos de tireoide.

Resumo: a maioria dos cânceres de tireoide não é herdada, mas ter um parente de primeiro grau com a doença aumenta o risco. Famílias com vários casos merecem acompanhamento individualizado. No carcinoma medular, que é raro, o teste do gene RET orienta a investigação de toda a família.

Perguntas frequentes

Minha mãe teve câncer de tireoide. Vou ter também?

Não necessariamente. O risco é maior que o da população geral, mas a grande maioria dos parentes de pessoas com câncer de tireoide nunca desenvolve a doença.

Existe exame de sangue que mostra se vou ter câncer de tireoide?

Para a maioria dos casos, não. O exame genético tem papel bem definido no carcinoma medular, em que se pesquisa o gene RET, e em algumas síndromes hereditárias específicas.

Quem tem parente com câncer de tireoide deve fazer ultrassom todo ano?

Não há regra única. A decisão depende de quantos parentes foram afetados, do grau de parentesco, do tipo de câncer e de outros fatores de risco, e deve ser individualizada em consulta.

O câncer de tireoide na família costuma ser mais grave?

Alguns estudos sugerem comportamento um pouco mais agressivo em famílias com vários casos, mas o tratamento segue os mesmos princípios, e o prognóstico da maioria dos casos é favorável.

Referências

  1. Ringel MD et al. 2025 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid, 2025.
  2. Haugen BR et al. 2015 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer. Thyroid, 2016;26(1):1–133.
  3. Wells SA Jr et al. Revised American Thyroid Association Guidelines for the Management of Medullary Thyroid Carcinoma. Thyroid, 2015;25(6):567–610.
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  5. Peiling Yang S, Ngeow J. Familial non-medullary thyroid cancer — unraveling the genetic maze. Endocrine-Related Cancer, 2016;23(12):R577–R595.
  6. US Preventive Services Task Force. Screening for Thyroid Cancer — Recommendation Statement. JAMA, 2017;317(18):1882–1887.

Conteúdo educativo. Não substitui a consulta médica nem estabelece diagnóstico ou indicação de tratamento.

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